Thursday, January 25, 2007
Tuesday, January 23, 2007
Apocalypto (2006)
Comentário: A afirmação anterior pertence ao historiador Will Durant e é com ela que tem início o filme, que pretende retratar os tempos do declínio da civilização Maia, antes da chegada dos espanhóis.
Antes de mais, quanto à propalada violência que supostamente caracteriza o filme, de facto existem cenas um pouco impressionantes mas mais do que julgar essas cenas por si só penso que é importante avaliar qual o valor acrescentado que trazem ao filme. Por oposição a filmes como Saw ou Hostel, onde a violência é completamente gratuita (não me entendam mal, eu sou grande fã dos três filmes do Saw mas compreendo perfeitamente que haja quem não goste), aqui a violência tem efectivamente um papel importante a desempenhar, ilustrando a barbaridade dos actos levados a cabo.
Como li há pouco num comentário ao filme, se não fosse pela violência que vemos no ecrã, esta até podia perfeitamente ser uma história produzida pela Disney (ok, é um grande “se”). O que quero dizer é que a história de um homem que, contra tudo e contra todos, luta para salvar a sua família, não tem muito de novo.
O que há realmente de novo no filme é o cenário, sendo ele a civilização Maia. Não querendo agora discutir sobre a sua aderência à realidade (prometo que vou pesquisar e brevemente irei escrever acerca do resultado da minha pesquisa, mas aqui), o que é certo é que é criado todo um cenário (pessoas incluídas) que torna muito fácil de acreditar no que se está a ver, ao ponto de chegarmos a ser, de certa forma, “transportados” para uma realidade que nada tem a ver com a nossa.
O filme deixa também no ar algumas questões importantes. Se num primeiro instante nos deixa a pensar como é que é possível que pessoas da mesma raça cometam tamanhos actos uns contra os outros, num instante seguinte, também podemos questionar se as últimas guerras e as que acontecem actualmente serão assim tão diferentes.
Tuesday, December 26, 2006
Cinderella Man (2005)

Género: Acção/ Drama
Argumento: Nos anos 20, James Braddock (Russell Crowe) era uma promessa no boxe, mas a combinação de um ferimento grave na mão com a derrota no combate contra Tommy Loughran acabou com a sua carreira. Durante a Grande Depressão, Braddock acaba a trabalhar nas docas de Nova Iorque para sustentar a mulher, Mae (Renée Zellweger), e os três filhos. Desesperado por dinheiro, Braddock procura o antigo treinador e agente, Joe Gould (Paul Giamatti), que lhe arranja um combate contra John Griffin, começando aí a produzir-se uma grande história.
Comentário: Com nomeações para melhor actor secundário nos Óscares e Globos de Ouro (Paul Giamatti) e outra para melhor actor nos Globos de Ouro (Russel Crowe), parece-me que este filme merecia outro tipo de reconhecimento.
Baseada em factos reais, a história está extremamente bem contada, para o que contribui um Russel Crowe ao seu melhor estilo e um Paul Giamatti que parece ter sido feito à medida de certos tipos de papéis, onde se inclui nomeadamente este. Pena é a falta de protagonismo de Renée Zellweger, que acaba por cair um pouco no limitado estereótipo de dona de casa dedicada, sem grande margem para brilhar.
Reconhecidamente, o filme tem início de uma forma um pouco enfadonha mas à medida que se sucedem os combates de boxe, somos rapidamente embrenhados na história, à boa maneira de um dos melhores Rocky’s.
Uma palavra ainda para o cenário do filme, a Grande Depressão no início dos anos 30 nos EUA., fornecendo imagens que podem ajudar a compreender as dificuldades extremas sentidas na altura.
Scoop (2006)

Género: Comédia/ Fantasia/ Mistério
Argumento: Realizado por Woody Allen, este filme tem início com a conversa que um jornalista recém-falecido tem com uma outra recém-falecida, no barco da Morte. Esta diz-lhe que era secretária de um jovem milionário (Hugh Jackman) e que poderá ter sido envenenada por estar perto de descobrir que o patrão é o afamado “Tarot Card Killer”, que anda a matar prostitutas nas ruas de Londres. Numa tentativa de conseguir o seu último "furo" jornalístico, o jornalista consegue então fugir por instantes do barco da Morte e aparece a meio de um espectáculo de magia de um ilusionista americano (Woody Allen), dentro da cabine do desaparecimento, onde está uma jovem candidata a repórter (Scarlett Johansson). Tudo se desenrola a partir daí.
Comentário: Na minha opinião, esta comédia ligeira é recomendável apenas para fãs de Woody Allen. Não sendo nenhuma obra-prima (a anos luz de Matchpoint ou de A Maldição do Escorpião de Jade), o filme vale sobretudo pelo registo cómico a que Woody Allen nos tem vindo a habituar (o chamado “mais do mesmo”), em que o realizador continua a gozar com as suas próprias neuroses e maniasinhas. Pessoalmente, acho este tipo de humor delicioso mas consigo perceber que nem toda a gente ache o mesmo.
A novidade neste filme reside na introdução de uma certa fantasia, não muito habitual nos filmes de Woody Allen, vísivel nas aparições do jornalista que já devia estar no Mundo dos Mortos.
Podendo ser acusado de ser um bocadinho “parado”, o filme não deixa de ser bastante divertido e além disso é sempre agradável ver em acção a formosa (minha MUSA!!) Scarlett Johansson. O par formado com Hugh Jackman não é nada de mind blowing mas não vai mal.
Sunday, November 19, 2006
Perfume (2006)

Classificação: 7,0
Género: Thriller
Argumento: Jean-Baptiste Grenouille (Whishaw) tem um talento único para apreciar os aromas que o rodeiam, talento que usa para criar os melhores perfumes do mundo. Mas o seu dom esconde um segredo. Órfão à nascença, Grenouille sempre se sentiu sozinho e diferente de todas as outras pessoas. Determinado a marcar a diferença, tentou capturar a irresistível fragrância emanada por jovens mulheres. Mas a paixão pela sua arte transforma-se numa obsessão...
Comentário: Acredito que o livro mereça um destaque no rankings dos romances, no entanto, enquanto filme o mesmo já não se pode dizer. Os 147 minutos são excessivos e podem, como se comprovou na sala de cinema, criar alguma sonolência...O argumento claramente não me convenceu.
Resta, salientar o método escolhido para contar a história... a narração dando ao filme o carácter de uma fábula negra e o desempenho dos actores, em especial Dustin Hoffman e Ben Whishaw (no papel de Jean-Baptiste Grenouille).
Monday, October 30, 2006
Lady in the Water (2006)

Classificação: 9,5
Género: Thriller/Mistério/Fantasia
Argumento: Cleveland Heep (Giamatti) salva uma jovem misteriosa (Howard) de perigo e descobre que esta é uma narf, uma personagem de uma história infantil que se encontra na complicada jornada de retornar do nosso Mundo para o dela. Cleveland, que se apaixona pela jovem, trabalha conjuntamente com os seus inquilinos para proteger a sua nova e frágil amiga de criaturas mortíferas que estão determinados a impedir o seu regresso a casa.
Comentário: Este é o 5º filme do famoso realizador M. Night Shyamalan, conhecido essencialmente pelos filmes Sixth Sense e The Village. Antes de ir ver o filme, já tinha lido várias criticas sobre o filme sendo a maior parte delas nada positivas, o que me surpreendia dado o historial do realizador. A pontuação do filme no site imbd é de 6,3/10, o que comparado com The Village, 6,6/10 e the Sixth Sense 8,2/10, indica que o filme não foi bem recebido.
A verdade é que simplesmente achei o filme brilhante! Os actores foram muito bem escolhidos encaixando perfeitamente nas personagens. Paul Giamatti tem um desempenho formidável, tendo-me proporcionado grandes risadas. Bryce Dallas Howard que também participou no filme The Village, está também muito bem. O argumento embora possa ser considerado infantil é super envolvente, apresentando vários twists.
Há muito tempo que não via um filme tão interessante! É bastante melhor que The Village e ao nível do Sixth Sense. Resumindo, não ver este filme é uma perda considerável!
Sunday, October 29, 2006
Monsoon Wedding (2001)

Género: Comédia / Romance/ Drama
Argumento: Na estação das monções, uma família da classe média alta de Nova Deli prepara o casamento da sua filha com um engenheiro indiano a viver na América. Este é um casamento arranjado pelos pais e para o evento as duas famílias vão se encontrar praticamente pela primeira vez, vindo membros de todos os cantos do mundo. O filme centra-se nos quatro dias antecedentes ao casamento, envolvendo toda a organização, misturando um estilo de vida bastante moderno com tradições antigas, mostrando o estilo de caos organizado indiano, com muita alegria e muita música.
Comentário: À falta de cinema, de vez em quando vou vendo algum DVD e um pouco por acaso este filme veio-me parar às mãos. Todavia fiquei agradavelmente surpreendida por me permitir perceber o estilo de vida Indiano, ou pelo menos em Nova Deli, a forma como as famílias se relacionam, os seus valores e a sua alegria de viver.
Um pouco no estilo de filmes de Bollywood e sendo quase uma cópia de uma série de filmes americanos do género “O pai da noiva”, este filme tem imenso romance, um pouco de drama familiar, e umas personagens cómicas muito engraçadas, como Dubey, o organizador do casamento. Temos o drama da noiva em saber se quer casar, misturando um ex. namorado e um possível escândalo familiar, o nervosismo do pai em ficar sem a sua filha, a mãe da noiva a tentar acalmar o pai e ainda segredos de família finalmente desvendados.
A realizadora tenta recuperar as características próprias desta cultura, abordando temas universais como a importância da família, do amor e da vida. Apesar de bastante leve é sem dúvida um bom filme, onde no final ficamos a conhecer mais um pouco de uma nova cultura e pensamos que no final somos até bastante parecidos, vivendo nesta aldeia global!
Realço decididamente a banda sonora e as cenas de dança fantásticas.
Tuesday, October 17, 2006
The Piano (1993)
Classificação: 10,0Género: Drama/Romance
Argumento: Jane Campion's Oscar-winning movie follows Ada (played by Holly Hunter), an immigrant to the New Zealand outback and an arranged marriage, who has not spoken for years and lives her life through the sound of her piano. Her husband (played by Sam Neill) is a man without much understanding, who tries to break the connection between his new wife and her piano; in contrast to him is the wild illiterate Baines (played by Harvey Keitel), a tattooed loner, who reaches into Ada's soul and helps her to regain contact with her emotions and ultimately, her voice too.
Comentário: O filme tem efeitos visuais excelentes e uma boa sonora que encaixa na perfeição com os vários elementos do filme. Anna Paquin desempenha um dos seus primeiros pápeis no cinema arrecando o óscar de actriz secundária (ela está simplesmente brilhante!). Recomendo e leva a pontuação máxima!
Friday, October 06, 2006
Volver (2006)
Classificação: 7,5Género: Drama
Argumento: Três gerações de mulheres sobrevivem ao vento quente, ao fogo, à loucura, à superstição, e até mesmo à morte, à base de bondade, de mentiras e de uma vitalidade sem limites. São elas Raimunda (Penélope Cruz), casada com um operário a viver do subsídio de desemprego e uma filha adolescente (Yohana Cobo), Sole (Lola Dueñas), a sua irmã, que ganha a vida como cabeleireira, e a mãe de ambas (Carmen Maura), morta num incêndio, juntamente com o marido. O fantasma da mãe regressa à terra para ajudar primeiro a sua irmã e depois Sole, embora com quem tenha deixado importantes assuntos pendentes tenha sido com Raimunda e com a sua vizinha da aldeia.
Comentário: Almodóvar volta a dedicar um filme quase exclusivamente às mulheres, à sua dor mas simultaneamente à sua força, depois de terem sido abandonadas por homens.
E com que actrizes conta ele para desempenhar o papel dessas mulheres! Penélope Cruz e companhia estão simplesmente irrepreensíveis. Devo confessar que nem sequer sou grande fã da Penélope mas acho que não há maneira de não ficar impressionado. A conclusão a que se chega é que a senhora fica uns furos abaixo do que é capaz sempre que entra num filme em que tem que falar a língua do Reino de Sua Majestade.
Quanto ao filme propriamente dito, pode-se dizer que obedece a um certo padrão de Almodóvar, mantendo quase sempre o mesmo ritmo, não existindo um final em clímax à boa maneira americana. A desvantagem é a de haver um certo sentimento de frustração no final, não havendo aquele sentimento de “closure”. A vantagem é que sempre constitui uma lufada de ar fresco face à fórmula do costume.
Uma nota final para as pitadas de comédia ao longo do filme, que vão aligeirando o drama, com especial ênfase para os beijinhos sonoros que as senhoras dão umas às outras.
P.S. Pensei que tinha sido problema do cinema a que fui, mas dado que já li vários comentários com a mesma queixa, parece existir um problema com o som do filme, que dá ideia de ter sido todo gravado a posteriori e mal sincronizado.
Sunday, July 23, 2006
Final Destination 3 (2006)

Classificação: 8
Género: Thriller/ Terror
Argumento: Wendy junta-se aos seus amigos para comemorar o fim do liceu no parque de diversões local. Assim que entra na montanha russa, Wendy tem uma premonição onde ela e os amigos morrem nessa mesma montanha russa. Em pânico, exige sair, e é acompanhada pelo amigo Kevin, mas os outros continuam. Para desespero dos dois, que observam de baixo a montanha russa, a premonição revela-se verdadeira... e fatal para os ocupantes.
Comentário: O comentário a este filme já vai tardio (vi-o no cinema já há algum tempo).
Este filme segue a linha dos anteriores e não apresenta um conceito novo. Sabe-se que vários elementos de um grupo de amigos irão morrer, apenas se desconhece a sequência e o modo como irá acontecer. Cedo se consegue perceber o que irá ditar a sequência de mortes, restando o suspense sobre a forma como irão morrer, se bem que na minha opinião, também não é a intenção do realizador esconder o que irá ditar a sequência. Deste modo, é um filme recomendado para admiradores do género.
A maior parte das mortes estão bastante trabalhadas e melhores que nos filmes anteriores, conseguindo por vezes surpreender. Apenas numa, e é discutível, penso que os personagens poderiam ter feito bastante mais para a evitar. Embora a maior parte aconteça porque falhou um pequeno detalhe, ou algo ligeiramente diferente em relação ao habitual aconteceu, a verdade é que nos faz pensar na importância dos pequenos detalhes, obviamente salvaguardando as devidas proporções (neste caso a Morte andava mesmo atrás deles) .
Depois de verem este filme, provavelmente nos dias seguintes não vão querer andar de montanha russa..
Wednesday, July 19, 2006
Hard Candy (2005)

Classificação: 8
Género: Thriller/ Drama
Argumento: Ao fim de 3 semanas a falar pela internet, uma rapariga de 14 anos e um fotógrafo de 32 anos decidem encontrar-se. E aí, nem tudo o que parece é...
Comentário: Um dos comentários que li antes de ver o filme dizia que este é daqueles filmes que vale a pena ver com o mínimo de informação possível. Escusado será dizer que esta foi a última frase que li acerca do filme antes de o ver.
Visto o filme, concordo plenamente que se tira maior partido da experiência se formos ao desconhecido. Assim sendo, vou tentar não ser demasiado revelador no comentário que se segue. Aviso apenas que o filme pode ser um pouco perturbador.
A temática do filme não podia ser mais actual, tratando dos chats on-line e dos potenciais perigos associados. Apesar da diferença de idades entre as 2 personagens principais (e quase únicas) do filme, quando se encontram, começam imediatamente os jogos de sedução. Contra todas as regras do bom-senso, Hayley (Ellen Page) decide acompanhar Jeff (Patrick Wilson) a sua casa, local onde se desenrolará toda a acção.
Ao longo do filme, não sabemos quais as motivações de Hayley nem a extensão dos actos de Jeff. Não sabemos também quem está a falar a verdade (ainda que desconfiemos) o que nos prende ainda mais à narrativa.
Na sua estreia como realizador, David Slade opta sobretudo pelo terror psicológico, em detrimento do visual, e fá-lo com grande mestria, explorando ao máximo as emoções humanas. A extrema intensidade do filme é ao mesmo tempo temperada com pitadas de humor absolutamente deliciosas, o que sempre vai permitindo que recuperemos o fôlego.
Quanto aos actores, Ellen Page está quase brilhante no papel de uma Lolita irresistível (com 17 anos à data do filme), fazendo uso do seu poder de sedução, deliciando-se com o seu domínio sobre um homem adulto, lisonjeada com as suas atenções e julgando-se, arrogantemente, acima de tudo. Patrick Wilson está igualmente bem, no papel de um homem charmoso, consciente da estranheza da situação (dada a diferença de idades), mas mantendo a dose certa de perturbante mistério. Destaco a forma como expressa as suas emoções, de uma forma impressionantemente credível.
Sem dúvida um filme intenso e perturbador, a ver.
Wednesday, July 05, 2006
Carros (2006)

Classificação: 6.5
Género: Animação
Argumento: Lightning McQueen (Wilson) é um carro de corridas presunçoso e arrogante. Ao acelerar a caminho da grande corrida, tem um acidente em "Radiator Springs", destruindo muitos dos pertences dos habitantes. Para compensar os estragos feitos, McQueen é sentenciado a serviço comunitário. Embora faça tudo para fugir ao trabalho, Lightning McQueen tem de aprender a respeitar os habitantes de "Radiator Springs" para sair da cidade e voltar às pistas.
Comentário: O filme Carros prometia muito, pelo trailer que tinha visto e pelo facto dos criadores terem realizado anteriormente Os Incríveis e À procura de Nemo (dois dos meus filmes favoritos de animação). No entanto, em vez de ver um filme divertido e interessante acabei por ver um filme com uma história fraca e que até me fez fechar os olhos por uns momentos (não costuma acontecer...). Destaco os efeitos especiais que continuam muito bons.
Sunday, June 04, 2006
Saw 2 (2006)
Classificação: 6.0Género: Terror
Argumento: A morrer com um cancro, Jigsaw deixa-se apanhar pelas autoridades. Mas nem tudo é tão simples quanto parece. Jigsaw confessa ao detective Eric Matthews que o seu filho Daniel foi feito refém juntamente com mais sete pessoas numa casa de horrores, completamente armadilhada. Jigsaw promete a Eric que deixará o seu filho viver se o polícia aceitar as regras do jogo. Mas o tempo escasseia, pois os prisioneiros foram injectados com uma toxina que acabará por matá-los. Fechados numa casa repleta das mais pérfidas armadilhas, os oito prisioneiros terão que descobrir o que têm em comum e, numa corrida contra o tempo, tentar desesperadamente sobreviver a um jogo de sangue e violência.
Comentário: Dado o sucesso do primeiro filme era inevitável uma sequela. Saw 2 é, no entanto, na minha opinião, uma desilusão (muito abaixo de Saw).
Começando pelo argumento, a mecânica da história é muito semelhante com o filme Cube: um grupo de pessoas metido num local tem que resolver enigmas em salas mortais para poder sobreviver. Para além disso, dá ideia que os actores escolhidos foram repescados do casting do também do filme Cube (cujos actores rondavam a mediocridade). A realização do filme também não ajudou à festa. O realizador não consegue parar quieto com a câmara um segundo, debitando fotogramas estáticos a alta velocidade (particularmente nas partes mais violentas) que se tornam mais irritantes do que inquietantes.
Como pontos positivos, aponto a personagem de JigSaw e algumas cenas. O filme eleva-se apenas no final com um bom twist ainda assim sem a força reveladora do final de Saw.
Thursday, May 25, 2006
Paradise Now (2005)
Argumento: O filme conta a historia de dois amigos de infância, Said e Khaled, que vivem na Palestina e no final de um dia normal são informados que foram os escolhidos para executarem um ataque suicida em Israel, no dia seguinte, sendo a primeira operação da organização terrorista a que pertencem em dois anos. Contudo os eventos não decorrem como esperado e entretanto os dois amigos tem de se separar. Um mantém o desejo de executar o ataque mas o outro começa a duvidar.
Comentário: Este foi o primeiro filme da Palestina a ser nomeado para os prémios da Academia. Entre outros prémios este filme recebeu o prémio para melhor Realizador dos Prémios do Cinema Europeu (2005) e esteve nomeado para melhor filme estrangeiro nos Óscares em 2005.
O filme mais parece um documentário pela forma como está filmado. Em todo o caso mostra-nos a perspectiva de dois terroristas, tentando explicar as suas motivações e os dilemas pelos quais poderão passar. É interessante ver a sua evolução ao longo do filme, a reacção das famílias e da sociedade. Podemos ainda conhecer um pouco melhor o país e os seus hábitos.
Este filme é em árabe, pelo que é importante que se veja com legendas.
Wednesday, May 24, 2006
Orgulho e Preconceito (2005)

Classificação: 8,5
Género: Romance/Drama
Argumento: “Pride and Prejudice” conta a história da família Bennet, uma família da pequena burguesia inglesa, com cinco filhas para quem a única opção de carreira é o casamento. O património da família só pode ser herdado pela descendência masculina, o que faz com que o legítimo herdeiro seja um primo afastado. Assim, o casamento das filhas é a maior preocupação e ambição da vida da senhora Bennet. A oportunidade para “despachar” uma das suas cinco filhas surge quando um jovem solteiro e abastado ocupa uma propriedade na região, trazendo consigo um amigo igualmente rico. Mas os planos de Mrs. Bennet não vão correr como esperado e antes do final feliz as personagens vão ter de aprender a lidar com o orgulho de uns e o preconceito de outros.
Comentário: Realizado por Joe Wright, este filme baseia-se no livro mais popular de Jane Austen, romancista inglesa do século XIX. Não conheço as versões das séries televisivas nem as versões de cinema anteriormente feitas. Adicionalmente, não li o livro. O meu comentário limita-se, portanto, ao filme e versão mais recente e não em comparações ou na adaptação do livro.
De "Pride and Prejudice" destaco, em primeiro lugar, a qualidade do elenco, composto por veteranos já com créditos firmados (Judi Dench e Donald Sutherland) e actores mais jovens mas também com grandes interpretações (Keira Knightley, Matthew Macfadyen, Simon Woods e Tom Hollander). De salientar, estão Keira Knightley e Donald Sutherland. Ambos estão fantásticos.
Para além disto, o filme possui excelente fotografia e a banda sonora é de grande qualidade. Destaco, igualmente, os diálogos bem escritos.
Esta conjugação de elementos compensa ocasionais deslizes do filme e a previsibilidade do argumento.
Considero uma boa opção para quem gosta do género.
Serenity (2005)
Classificação: 7,5Género: Acção / Ficção Científica
Argumento: A tripulação de Serenity aceita qualquer trabalho, mesmo que não seja exactamente legal. Malcolm Reynolds, o capitão, estava do lado dos vencidos de uma guerra galáctica, e agora tem a sua nave chamada Serenity e a sua tripulação leal: Zoe, a segunda no comando e a sua maior aliada, Wash, o piloto e marido de Zoe, Kaylee, o mecânico e Jayne. Quando Malcolm aceita dois novos passageiros, um jovem médico e a sua irmã instável ele recebe muito mais do que aquilo que pediu... os dois são fugitivos da Aliança, o conglomerado que controla a galáxia.
Comentário: Realizado e escrito por Joss Whedon, o criador de séries como "Angel" e "Buffy the Vampire Slayer", este filme baseia-se noutra série, "Firefly", que apenas teve direito a uma season tendo sido abandonada pela FOX. Pelo que percebi dos comentários que li na net, apesar de ter tido apenas a duração de um ano, a série captou uma série de fãs devotos, especialmente aqueles que já apreciavam os trabalhos anteriores de Joss Whedon.
Incentivado pelos elogiosos comentários destes fãs ao filme, decidi então ver o filme e a verdade é que não me arrependi. O primeiro aspecto que me chamou a atenção no filme foi o elenco de actores, desconhecidos para mim, e que me pareceram um pouco “tenrinhos”. No entanto, acho que até este aspecto acaba por contribuir para a qualidade do filme, onde o que sobressai é a natureza das relações humanas e a genuinidade dos sentimentos entre as pessoas. Ao contrário do que acontece frequentemente no cinema (especialmente de ficção científica), o filme não pretende traçar uma distinção clara entre o “bem” e o “mal”, o que não deixa de ser uma surpresa agradável, obrigando-nos a pensar um pouco.
Destaco igualmente no filme a qualidade dos diálogos, por vezes com toques de comédia absolutamente geniais.
Sugiro o filme para os apreciadores de Star Wars, pois tem semelhanças indesmentíveis e não há como não nos voltarmos a lembrar do saudoso Han Solo.
Tuesday, May 16, 2006
Missão Impossível 3 (2006)

Classificação: 8
Género: Acção (pura!)
Argumento: O agente secreto Ethan Hunt (Tom Cruise) tem de confrontar o vilão mais violento que alguma vez enfrentou, Owen Davian (Philip Seymour Hoffman), um fornecedor de armas e informador sem remorsos, nem consciência.
Comentário: Como fã confesso da série Missão Impossível (aquela que passava na RTP há uma série de anos) tenho antes de mais de confessar alguma desilusão pelo facto da série ter sido completamente desvirtuada nos 3 filmes feitos até à data. Uma série que se focava no trabalho de equipa de uma série de elementos com capacidades acima da média foi transformada num filme que não consegue deixar Tom Cruise de fora do ecrã por mais que 2/3 segundos.
Dito isto, não posso deixar de aconselhar o filme como um belo exemplar dentro do género dos filmes de acção. As cenas estão extremamente bem filmadas e mantêm-nos agarrados ao nosso lugar durante uma boa parte das 2 horas de exibição do filme. Para os apreciadores de "Lost", nota-se bem o dedinho do realizador J.J. Abrams, criador da série, em algumas cenas.
Quanto ao enredo, sem ser de uma originalidade tremenda, está bem montado e é suficientemente simples para nos deixar apreciar na plenitude as cenas de acção do filme. Como li num qualquer comentário, quase tudo gira à volta das questões “como é que vamos entrar ali?” e “como é que vamos sair de lá?”.
No que respeita aos actores, Tom Cruise está no seu registo habitual, mas é Philip Seymour Hoffman que merece ser destacado, com um desempenho excelente que quase envergonha os outros à sua volta. É mesmo de outro campeonato, um dos melhores vilões de sempre.
Para aqueles que vão com certeza encontrar uma série de falhas e elementos pouco credíveis na história (porque inevitavelmente eles existem), digo-vos que isto não pretende ser a chamada “descoberta da pólvora” mas apenas um filme de acção, ideal para ser visionado num cinema com excelente sistema de som e imagem.
AL
Wednesday, April 26, 2006
A Costa dos Murmúrios (2004)
Género: Romance
Argumento: No final dos anos 60 Evita chega a Maputo (Moçambique) para se casar com Luís, um estudante de matemática que ali se encontra a cumprir o serviço militar. Quando chega Evita logo percebe que o seu noivo não é o mesmo, estando traumatizado pela guerra, o que o leva a tentar imitar o seu comandante. Quando os homens partem para uma demorada batalha, Evita fica só e tenta perceber o que provocou a mudança de Luís, procurando assim a ajuda de Helena, a mulher do comandante Força Leal.
Comentário: Mais do que a história do filme destaco a sua tentativa em relatar a vida dos militares portugueses e das suas mulheres em África, nomeadamente no final da guerra colonial em Moçambique. O filme aborda o tema dos traumas sofridos por causa das guerras coloniais bem como estes puderam modificar aqueles jovens, tendo sido nalguns casos difícil adaptarem-se às suas vidas anteriores, aos seus sonhos e aos seus projectos. Realço ainda a possibilidade de vermos algumas imagens do país. Na minha opinião peca em demasiadas partes por ser demasiado parado, bem ao estilo de alguns filmes portugueses. Em termos de actores este filme conta com a interpretação de Beatriz Batarda, Filipe Duarte, Mónica Calle e Adriano Luz.
Fleur d’oubli (2006)
Género: Romance (filme Tunisino)
Argumento: Zakia, uma jovem da burguesia tunisiana, após um casamento fracassado torna-se dependente da planta de Kochkhach (Pavot), algo que a sua mãe lhe dava enquanto era criança para acalmar as suas dores. A sua dependência leva-a a um estado de loucura e posteriormente ao seu internamento num hospício. O curioso é que é neste local onde ela vai reencontrar a alegria de viver.
Comentário: O que vos posso dizer sobre este filme??? Tem sido um grande sucesso neste país, o que me levou a ir vê-lo (todavia com o preço do bilhete a 70 cêntimos é compreensível que tenha sido visto por muita gente). A história em si não tem nada de original, contudo aborda o tema da homossexualidade de forma muito clara, o que para aqui é uma evolução. A par da história e apesar do filme se passar na época da Segunda Guerra Mundial, destaco o facto de retratar o modo de vida dos tunisinos, nalguns aspectos ainda muito actual, o que nos permite conhece-los um pouco melhor, sendo essa para mim a melhor característica do filme. Podemos ver como vivem em familia, a importancia dos mais velhos nas decisoes, os casamentos arranjados, a decoracao das casas, como se vestem, os seus habitos, etc.
Caché (2005)
Género: (filme frances)
Argumento: Georges, um jornalista francês, começa a receber vídeos clandestinos filmados da sua rua. Nesses filmes vemo-lo a ele e à sua família. A partir de dada altura começa a receber também uns desenhos inquietantes e difíceis de interpretar. Inicialmente ele não faz a mínima ideia de quem possa ser o autor. No desenrolar do filme as cenas começam a tornar-se mais pessoais, de modo que se percebe que o autor conhece bem a personagem principal desde a algum tempo. Georges desconfia que está a ser ameaçado e tenta ir à polícia, mas esta não dá atenção ao seu caso.
Comentário: Este filme teve uma boa aceitação por parte dos críticos, tendo recebido em Cannes, o prémio da crítica, e nos Prémios do Cinema Europeu os prémios de melhor filme, melhor realizador (Michael Hankeke), melhor actor (Daniel Auteuil), melhor montagem e o prémio da crítica. Além disso, encontra-se nomeado para os Césares 2006, nomeadamente, para as categorias de melhor realizador, melhor actor secundário (Maurice Bénichou) e melhor cenário original. Em termos de actores acrescento ainda que o filme conta com a participação de Juliette Binoche. Por todas estas razões foi o filme escolhido para abrir as Jornadas de Cinema Europeu na Tunísia.
O filme tem sem dúvida alguns pontos positivos, destacando mesmo a sua originalidade e a boa interpretação do actor principal, todavia no global deixou muito a desejar. Bem sei que não sou grande especialista, nem entendedora de cinema, de qualquer modo, para quem for mais curioso deixo a sugestão.
